Barbantinho neles!

Há gente que ganha um apelido quando nasce e pela vida inteira jamais será chamado pelo nome. Nem pela mãe. E acaba até se esquecendo do nome que recebeu dos pais. Pois tenho um amigo a quem todos chamam de “Chão”. Ninguém, em lugar algum, sequer sabe o nome dele. Ele mesmo já se vai apresentando: “Prazer, Chão.”. Arraigou. Um dia perguntei o verdadeiro nome dele e ele respondeu: “Dizem que é Laércio, sei lá, mas pode ficar no ‘Chão’, que não tem jeito…”. Na empresa onde ele trabalha, talvez, nem no departamento de pessoal esteja registrado com o nome certo.

Aí em Campinas existe uma figura assim. Grande figura, grande amigo de sempre, daqueles que a gente não vê há trinta anos, mas se precisar, ele viaja cem quilômetros a pé para atender ao chamado. Não vou dizer o nome dele, só o apelido: “Treco”. Pronto, todo mundo já sabe quem é. Mas ninguém no mundo sabe o nome dele. A senhora se lembra dona Linda? E você, Sílvia? A Teresa ainda se lembra? Dona Linda é a mãe e a Sílvia e a Teresa, as irmãs do Treco.

Eu me lembrei dele quando li que a escola “Aníbal Freitas” foi invadida por nuvens de insetos e a direção foi obrigada a suspender as aulas que pernilongos e famílias teimavam freqüentar com os alunos. Todos vítimas dos insetos, e dos políticos, que prometem cuidar da educação, mas conhecem uma escola menos do que os insetos. O colégio “Culto à Ciência” não tinha esse tipo de invasão, mas tinha o Treco. E foi aí que tudo se deu.

Se o Treco estudasse no “Aníbal”, não haveria insetos lá. Ele tinha mania de acender aqueles barbantinhos “fididos”, que empestavam a classe e não deixavam nem alunos nem insetos lá dentro. Um dia, nosso diretor, o doutor Telêmaco, descobriu o autor da fedentina e entrou bufando na sala de aula: “Quem é Lineu?”. Silêncio. “O Lineu não estuda nesta classe?”. Silêncio. “Ah! Lineu sou seu seo Telêmaco.”. E o doutor Telêmaco emendou: “Você se chama Lineu, seo Treco? Venha comigo para a Diretoria!”.

Pregado no poste: “Há muitos inseticidas, mas politicida, só o voto”

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