Barão de Itapura, 1.481

Não há registro nos alfarrábios da história destas Campinas de que o Barreto Leme tenha passado por estas paragens em busca de ouro, prata, diamante e outras preciosidades. Estava a mando do morgado de Matheus, comandante de São Paulo, em busca de desbravar o sertão desta capitania. Se jazidas tentasse, daria com os burros n’água. Mas teve um sonho, numa das noites frias em que sua tropa descansava ali perto de onde hoje ainda deve morar seo Toninho. Bela casa, mais “testemunha ocular da história” do que o Reporter Esso…

Aquele sonho o projetou mais de dois séculos à frente. E ele se viu numa rodoviária já muito feia e congestionada, ao lado das ruínas de um centro de compras que nunca aconteceu, na frente de um restaurante, tal de Quintalão, onde o dono morreu baleado. Cena tão triste que quase o sonho do nosso Barreto se torna pesadelo. Desceu, olhou para a esquerda e viu um Castelo, lá no alto, cercado por um deserto aberto por um certo (ou errado?) seo Pagano. Deixou para trás a igreja mais conhecida pelo seu pároco mais famoso (“são” Jerônimo Bagio) do que por seu padroeiro de verdade, de quem agora não me lembro. E fui batizado nela, por ele. E o “Culto à Ciência”, ah o nosso “Culto à Ciência”! Vá na frente que eu vou fazer uma oração, caro Barreto. Á esquerda, na Cândido Gomide, o bar do seu Zé, bom sorveteiro, a Praça Hideo Noguchi e o “campo da Mogiana”, muito abandonado.

À direita, a garagem da Viação Bonavita (quantos ônibus ‘dirigi’ ali, saltando o muro do quintal da casa 652, escondido de minha avó! Gostaria de rever esse ‘palácio’ de minha infância.) Mais adiante, a esquina da Rua Antônio Lobo, a casa do coronel Pupo, do Henrique Salles, do Carcani, da dona Hilda Barros… A casa da veneranda e querida senhora Batrum do seo Miguel Cury, da Julita! Que saudade das esquinas com a Barão Geraldo de Resende, da Zé Paulino, da Glicério!

Súbito, Barreto salta no meio do sonho. E se regozija: “Que jazida! Quanta preciosidade! Que maravilha de lugar! Quanta paz, quanta dedicação, quanto amor à natureza, quanto trabalho, que gente especial! Que templo é esse?” É o Instituto Agronômico, do nosso Alcides Carvalho. Faz 114 anos, amanhã. Maior que a obra de seus cientistas, só a obra de Deus, meu bom Barreto! “Então, parabéns pra toda essa gente. Se é assim, valeu fundar esta terra sagrada.”

Pregado no poste: “O IAC está no pão nosso de cada brasileiro”

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