Bailado da Fênix

Aposto como Chico Buarque mirou-se no exemplo dessa mulher de Campinas para compor sua bela “Ciranda da Bailarina”. Querida dona Laís, ‘procurando bem, nem falta de maneira sua filha não tem. Confessando bem, todo mundo faz pecado logo assim que a missa termina; todo mundo tem um primeiro namorado, só a bailarina que não tem… Sujo atrás da orelha, bigode de groselha, calcinha um pouco velha,’ a Juliana ‘não tem.’. Ela não sabe, mas bailou em sonhos do Chico.

Se não é musa do Chico, foi uma das guerreiras bem definidas por Érico Veríssimo: Maria Valéria, Bibiana, Ana Terra. Valente, decidida. Então, como explicar essa garra que supera o Estado medíocre? E faz das ruínas do templo onde tudo aprendeu um palácio para toda gente da sua terra. Terra!

(Tivesse nascido em Roma, o Coliseu não pareceria um Pacaembu inacabado. Em Pisa, a torre inclinada já estaria impávida como em um “relevé”

Mas essa campineira de classe jamais se esqueceu das classes por onde passou na escola que abrigou toda sua família. Foi assim que ela voou do brasão da terra onde nasceu para o palco do teatro “Telêmaco Paioli Melges”, no insuperável Colégio Culto à Ciência – é uma bailarina que voa como a Fênix renascida, símbolo desta cidade a cintilar.

Se não foi Chico nem Érico, creiam todos quanto estas letras lerem: só pode ser o Vandré. Juliana sabe, faz a hora e não espera acontecer. Tirou o teatro das cinzas, com as próprias garras e com a liberdade de iniciativa das próprias asas. É uma campineira, ex-aluna de Mariinha, Zilda Rubinski, Maria Bom Jour; Pedrinho Biasssolo, José Alexandre dos Santos Ribeiro, Amarilis Pilenso… Precisa dizer mais?

Que argumento mais novo e forte para exibir quando nos perguntam porque campineiro é orgulhoso? Ela vem do doutor William e de dona Laís, do berço dos Omati, para o berço do saber, do conhecimento e das artes. Como eu queria que dona Mariinha e Telêmaco vissem do que essa menina é capaz!

Juliana, obrigado. Você, sozinha, vale mais do que todas as autoridades que nos prometeram um teatro e mentiram. Você não promete, você faz. Você é campineira! Do Culto à Ciência!

Pregado no poste: “Bom é viver de costas para o Poder”

 

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