B.O. na HBO

Toca o telefone. É ela, a campineira digna indignada. Conta que semana passada estreou um seriado na tal de HBO (isso pra mim é nome de remédio pro fígado) chamado “Filhos do Carnaval” — todos aqueles que nascem nove meses depois da chegada do Rei Herodes, digo, do Rei Momo. No papel de bandidão, ex-cafajeste, neopastor neopentecostal, Jece Valadão, padrasto da Luciana Gimenez, sogro de plantão do Mick Jager. Tem quatro filhos, dois bastardos. Um dos “ilegítimos” é segurança do pai, chefe de quadrilha ligada à Mocidade Independente (de drogas?).

Lá pelas tantas, Jece diz ao segurança: “Vamos logo para o aeroporto buscar seu irmão. Ele vem de Campinas, onde a gente lava o nosso dinheiro!”. Era aniversário de Jece. Você foi convidado?

Quer mais? Para confirmar a fama, esta campineira digna indignada conta o que se deu com ela. Ouçamo-la:

“Por sorte, estava na casa de minha cunhada quando o telefone tocou. Doente, não pode andar, pés gangrenados por corticóides, viúva há pouco. Ligação a cobrar. Olhei no ‘bina’, prefixo 021: Rio de Janeiro. A voz dizia que um filho dela estava em poder deles e ai de nós, se eu desligasse o telefone. Queriam resgate. Foi um custo esperar que alguém mais chegasse à casa, para eu verificar se o menino estava em Campinas ou seqüestrado, mesmo. Enrolei a conversa, enquanto o bandido dava ordens. Enfim, a pessoa que havia chegado à casa de minha cunhada descobriu meu sobrinho são e salvo na cidade, sem saber que era vítima “virtual” de bandidos”.

A campineira digna indignada foi ao 10º DP registrar o B.O, mas a “otoridade de prantão” a mandou para ‘os 5º’, na Swift. Lá a “otoridade de prantão” também não fez B.O. Um agente ligou para o número que apareceu no ‘bina’ e constatou que é de um presídio do Rio de Janeiro.

E ninguém me tira da cabeça que celular só entra na cela se alguém da cadeia levou propina. Ou seja, um bandido solto, a serviço da Justiça, ganha de um bandido preso, a serviço do crime.   Pregado no poste: “Heloisa Helena vai sair na revista Plebéia?”

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