Ave Maria!

Depois reclamam de que os templos católicos estão cada vez mais vazios.

Sou do tempo em que a Igreja do Carmo tinha missa aos domingos das cinco às onze da manhã. A Catedral, também. Lotadas. Ás cinco, era a missa dos trabalhadores do Mercadão e dos feirantes, que pegam cedo no batente. Às seis e às sete, missa dos idosos e das donas-de-casa, que tinham de preparar o almoço para os maridos que, mesmo aos domingos, trabalham. Afinal, domingo era dia sagrado de reunir a família inteira em torno da “nona”. Às oito, era a missa das crianças. Ás nove, dos jovens; às dez, dos recém-casados e às onze, dos granfinos. Nada combinado: naturalmente, as “classes” foram se formando.

Será que o Ibope continua alto, mesmo se o padre Marcelo Rossi não aparecer? Ou continuam fazendo palanque do altar e ideologia da doutrina?

Semana passada, aqui em Tambaú, bem na terra do canonizável padre Donizetti (santo homem), uma fiel, dona Vanilda, foi proibida de entrar em qualquer igreja católica do mundo. Que não passe da porta! Ordem do bispo de São João da Boa Vista, dom Dadeus Grings. E o motivo não é religioso.

Por 16 anos, dona Vanilda trabalhou como funcionária da paróquia do Cristo Redentor e agora reclama direitos trabalhistas (pagamento de horas extras) na Justiça. O bispo pressionou para ela retirar a queixa. Como ela insistisse, recebeu a pena de um ano fora da Igreja e das igrejas. Dona Vanilda está interditada para rezar no templo, ir à missa, enfim, pisar em templo algum.

Mesmo nos Estados Unidos, onde igreja, estado e política andam por caminhos distintos, a coisa está feia. O repórter Jon Auerbach, do Wall Street Journal, conta: “Inspiradas pelo Vaticano, mais e mais igrejas católicas dos EUA estão oferecendo vinho na hora da comunhão. A tendência agrada aos devotos – algo importante num momento em que muitas paróquias lutam contra a queda na freqüência”… A liturgia permite que, na falta de hóstia, se use o vinho. Afinal, tudo é a evocação do corpo e do sangue de Cristo. Mas usar vinho para atrair fiéis… sei, não. E se a moda pega?

Pregado no poste: “Faltar prefeito pode; professor, jamais!”

 

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