Auxílio-cafezinho

Dois gaúchos fazem uma cooperativa; dois mineiros, uma conspiração.

Dois mato-grossenses fazem uma pescaria; dois cariocas, uma escola de samba.

Dois goianos formam uma dupla caipira; dois nordestinos, um açude.

Dois catarinenses fazem um frigorífico; dois cearenses tecem uma rede.

Dois baianos fazem um “trio de dois”: o trio elétrico de Dodô e Osmar.

Dois paraenses abrem um garimpo; dois amazonenses fazem uma canoa.

Uma andorinha não faz verão; mas um tucano faz um muro.

Dois políticos não fazem nada; todos eles, menos ainda.

Dois paulistanos fazem uma fila; dois campineiros fingem que não se conhecem

Dois pontepretanos é pouco; dois bugrinos é demais.

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Do caderninho de Magda Antibes: Comporte-se com Modess; Sertãozinho e Xororó; Colchão de Defunto; A Dama e o Vagalume; Naquele tempo, dizia Jesus aos seus escrúpulos; Passei anos a frio; Rodovia dos Indigentes; Em boca fechada não entra rosca; Branca de Leve; O Rei Drogado; Parque dos Dicionários; A Gata Borracheira.

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A Justiça Federal de Ribeirão Preto serve o cafezinho mais caro e mais envelhecido do mundo. Quando o pó (de café) acaba, mandam um ofício para São Paulo pedindo mais. Depois de apreciado o ofício pela comissão competente, uma licitação é aberta e publicada no Diário Oficial da Justiça. Em dois meses, a torrefadora que fizer a oferta mais barata leva o pó à Justiça Federal de São Paulo e um caminhão entrega o pedido em Ribeirão Preto. Nós, o povo, pagamos esse desperdício de tempo, papel e dinheiro para que os meritíssimos tomem seu café, que poderia ser comprado na quitanda da esquina. Pagamos auxílio-moradia, também.

(O juiz Augusto Martinez Perez, que também se espanta com essa aberração, mais seus pares da Justiça Federal de Ribeirão promoverão em maio o I Encontro Nacional de Juizes Federais do Interior do Brasil, para debater esse e outros assuntos que complicam a estrutura, o desenvolvimento e a imagem da Justiça perante a população. “Até para trocar uma lâmpada no Fórum a Justiça é lenta”, reconhece.)

Pregado no poste: “Existe juiz sem-teto?”

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