Ausência!

            Fiquei “Verdi” de raiva! Amadeus do Céu, como isso ainda acontece? Só pode ser obra de algum Vivaldi(no). Ou de alguém com (desculpem pela expressão) Gounod(réia) na cabeça. Será que beberam Brahm(a)s demais ou muitos Chopin(hos)? Martini(s)? De agora em diante, eles estão na minha Liszt(a) negra. Dá vontade de chamar todos e gritar: Schumann daqui! Nem Falla… Ainda vou Dvorá(k) um por um. Não adianta pedir Kálmán. Seja Franck! Será que estou falando Grieg(o)? Não quero nem saber o que Anton Rubinstein com isso; só sei que foi um tremendo Bach. 

            Depois dessa explosão, Strauss (pai e filho), Wagner, Sibelius, Bizet, Tchaikovsky, Debussy, Händell, Mendelssohn, Korsakov e o resto do bando saíram correndo. Ravel (sem o Don…) ainda tentava se livrar, implorando e cantando: “Eu te amo, meu Brrrazil!. Também foi gongado pelo mestre Alexandre dos Santos Ribeiro.

            Toda essa “tchurma” reuniu-se numa coleção de seis discos estupendos, que pretende ser o acervo definitivo das “150 mais belas melodias” da história. Realmente, é uma obra de arte. Obra e arte do Reader’s Digest, editadas na Austrália e perpetradas no Brasil pela editora que se orgulha de também editar a famosa “Seleções”, segundo ela, “a revista mais lida do mundo”. Publicada em Português há 59 anos.

Seus leitores, nos Estados Unidos, compõem a “maioria silenciosa”, de quem o ex-presidente Richard Nixon esperava uma apoio de última hora, para se safar do escândalo Watergate. Lembra-se da revista? Tinha (ainda tem?) alguns artigos interessantes e boas seções: Flagrantes da vida real, Piadas de caserna, Rir é o melhor remédio, por aí.

Agora, a dita cuja tem o desplante (nuca usei essa palavra) de plantar uma falha dessas bem no Brasil. Que formação histórica, musical e cultural tem a turma que obrou esses discos? Como é possível exibir “as 150 mais belas melodias” da história e deixar de fora peças de Carlos Gomes e do Heitor Villa Lobos? Não se assuste se no próximo embuste eles aparecerem com “Tapinha não dói” e “Vão passar cerol no… digo, na mão”. Comprei, mas não vou ouvir. Seleções? Nem a do Reader’s Digest nem a do Leão, muito menos a do Felipão. 

Pregado no poste; “Tá dominado! E o povo tá calado!”

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