Atrás dos ovos

Se você fizer um pacote no “Armazém de Viagens no Tempo”, do Miguel Nucci, ele não levará você à Grécia Antiga, Farol de Alexandria, Jardins Suspensos da Babilônia, Catacumbas de Roma nem às ruínas de Pompéia. Ele também não seguiria o roteiro triste de Campinas, que leva às ruínas do Colégio “Culto à Ciência”, ao edificante terreno baldio que ocupa o lugar do Teatro Municipal “Carlos Gomes” ou aos jazigos do Alecrim, no Largo da Catedral, e do Seo Rosa, na frente do Palácio dos Jequitibás. O “saitesim” do Nucci não inclui a velha Igreja do Rosário, a jaula da onça Nero, no Bosque dos Jequitibás, nem circula de bonde, porque a viagem acabaria em Pedregulho, único lugar do mundo onde paralelas se encontram.

Da Estação Cultura, não partem mais “trens para o Interior” nem o Trem de Luxo, muito menos a Litorina das 6h28 para São Paulo. A carroça do Dito Colarinho virou carruagem para o Céu e a bicicleta do Mané Fala Ó partiu, levando alma mais pura do que a do ET. Logo, logo, a Caravela da Lagoa do Taquaral naufragará no percurso, assim como sumiram na poeira do tempo o auditório da Rádio Brasil, na Galeria Trabulsi; os cines Rádio, Brasília, Bristol, Voga, Jequitibás, Ouro Verde, São José, São Jorge, Windsor, Santa Maria, Alvorada, Carlos Gomes, Real, Rex; o bondão de Souzas; o Hotel Términus (até a Emilinha parou de cantar em suas janelas); não há mais sorvete nas Casas Regente nem cachorro-quente no carrinho do suíço, na frente da Drogasil ali na Barão de Jaguara.

Nestes tempos de baladas (ou pauladas?), não sobra espaço para a boate El Cairo nem para os “Degraus do Sucesso”, com os discos mais vendidos na Loja Supergasbrás – Sérgio Batista se recusaria a anunciar os favoritos do MP-3. Nem o Guarani existe mais, para justificar o anúncio do Fanor Pereira Neto, no “Esportes no Ar”, pela PRC-9: “Renato Otranto é um rapaz legal: torce para o Guarani e compra na Regional”.

Agora, o Armazém do Nucci vende Viagens mais saborosas para ontem ou para hoje, e você ganha um ovo de Páscoa. Vamos procurar onde o coelho o deixou? Nas Lojas Americanas, Kopenhagen, Seleta, Orly, Padaria do Comércio ou na Mercearia Santa Rita?

Pregado no poste: “Boa Páscoa!”

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