Aonde enfiam nosso dinheiro – 2

É a maior concentração de renda da história da Humanidade, a mais elevada renda per cápita do mundo e a mais cruel relação custo-malefício de que se tem notícia. Entre deputados federais e senadores, esses 601 coitadinhos consumirão de nós, este ano, um orçamento de R$ 4,9 bilhões. Cada um custará apenas R$ 815.307,00 por ano ou R$ 67.942,00 por mês, R$ 2.264,00 por dia, R$ 94,36 por hora ou R$ 1,57 por minuto. Falar nisso, de quanto é o salário mínimo que eles votaram para o povo este ano? Quanto ganham o professor e o médico do seu filho? E o cientista? E o gari que limpa a rua da sua casa? E os enfermeiros dos hospitais públicos?

Cotada em dólar, a renda média per cápita anual consumida por paralamentar, digo, parlamentar, é de US$ 339.711,00. Nem Noruega, Suécia, EUA, França e Alemanha juntos. O que já era um absurdo escorchante cresceu com a chegada do João Paulo Cunha e depois do Severino ao “pudê” daquela distinta casa de leis.

Enquanto a Nação assiste enojada – e impotente — ao desfile de mensalões, dilúbios, valdomiros, dircéus, dinfernos, martas, mertas, mortos e murtas, correios, correias, cornorréias, temer e tremer, severinos…, outro escândalo leva mais dinheiro que somos obrigados a pagar a eles. Só de janeiro a maio deste ano, pagamos R$ 2 bilhões (SÃO 2 BILHÕES!!!) para os parlamentares aprovarem leis. Escrevi “aprovarem”. Será que o certo não é   “apavorarem”?

Sabe quantas leis eles aprovaram este ano, até maio? (Não me bata, porque é verdade): 36. É isso: 601 parlamentares precisaram de R$ 2 bilhões para aprovar 36 leis em cinco meses. Leis altamente edificantes! Não vou falar mais nada. Olhe só a notícia enviada pelo correspondente da Agência Paulista de Jornais em Brasília, meu colega Murilo Murça, desde os tempos da brava sucursal do Estadão na cidade mais imunda e revoltante do Brasil:

“Para cada uma das 36 leis aprovadas nos cinco primeiros meses deste ano, o Congresso Nacional consumiu R$ 56,712 milhões, levando-se em conta o orçamento anual de R$ 4,9 bilhões, o que corresponderia a R$ 2,041 bilhões gastos de janeiro a maio. Por este cálculo, somente para dar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos o nome do ex-governador André Franco Montoro, projeto de lei do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), e para declarar Oscar Niemeyer ‘Patrono da Arquitetura Brasileira’, projeto de lei da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), foram consumidos R$ 113,425 milhões.

A conta ficaria três vezes mais salgada se considerar que, das 36 leis aprovadas pela Câmara e pelo Senado Federal e sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dois terços foram propostas pelo Poder Executivo e não por parlamentares. E mais caro ainda, se o presidente não tivesse vetado as três leis aprovadas para aumentar em 15% o salário dos funcionários da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União. Um gasto extra de R$ 570 milhões para aumentar a remuneração dos 34 mil funcionários do Legislativo, que já têm média salarial superior a R$ 9 mil.

Os 513 deputados apresentaram neste ano legislativo, que começou com a eleição de Severino Cavalcanti à Presidência da Câmara, em 15 de fevereiro, cerca de 4.300 projetos de lei e de emendas constitucionais que, somados aos demais projetos já em tramitação, chegam a quase 12 mil projetos. Só os 70 deputados paulistas, a maior bancada da Casa, apresentaram 593 projetos, até 31 de maio.

Projetos de lei com mínimas chances de serem aprovados. E, se aprovados, serviriam para, por exemplo, reconhecer a profissão de ‘guarda de guarita’ (PL 4157/04), criar os ‘Conselho Federal e Conselhos Estaduais de Cabelereiros e Barbeiros’ (PL 411/04) ou reconhecer a profissão de ‘Alfaiate’ (PL 3655/04), todos projetos de lei do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP).”

E a nossa egrégia câmara municipal precisa de quanto para aprovar um projeto de lei?

Pregado no poste: “Quem votou neles é culpado ou cúmplice?”

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