Amores perfeitos

Só naquele templo. A Ana Maria Negrão, hoje diretora da Faculdade de Direito da Unisal, foi aluna e professora do “Culto à Ciência”. Meio século depois, ela recepcionará os formandos de 1959 do nosso então colégio maior — amanhã, no Espaço Zanzara, ali na Avenida José Bonifácio, 258. Vá. Você vai se emocionar.

Agora, ela fica a imaginar o que seria do aluno que chegasse à aula, há 50 anos, de bermudas e sandálias havaianas, com um cachorro pastor alemão preso à coleira. Argumento do “ilustríssimo mocinho”, como diria nossa saudosa mestra de Português (como a Ana) Maria de Lourdes Ramos: “É que depois da aula, tenho de ‘levá ele’ pra vacinar e ele não tem com quem ficar…”. Não é que a “peça” assistiu à aula e o cachorro não abriu a boca nem se mexeu? Fosse dona Gladys, outra saudosa figura, inspetora de alunos, o ousado “xipofanta” é que seria levado para tomar vacina… Pensa que não?

No noturno, Ana Maria lecionava para uma turma batalhadora, entre eles, um jardineiro, que sempre levava para ela um maço de flores – amor perfeito –, sem nenhuma intenção, além de retribuir a atenção da professora com o resultado de seu trabalho pelos jardins das melhores casas da cidade.

Sem aviso, ela passou três dias sem receber as flores. No quarto dia, ele voltou. Esteve doente e perdeu o ponto sobre pronome átono. Esforçado, copiou do caderno de um colega e estudou no livro. Quando aquela aula acabou, entregou as flores e desabafou:

— Professora, a senhora me desculpe, mas não entendi bosta nenhuma desse tal de pronome átono, ênclise, mesóclise…

Novamente, veio à sua memória a reação à bosta, há 50 anos. Mas decidiu se enturmar:

— Não há problema. Eu vou explicar essa bosta para você…

(Àquela altura, doutor Telêmaco brigava com São Pedro para vir à Terra tirar satisfação com os dois. Eu me lembro de que ele quase destroçou uma professora ao vê-la ser chamada de “você” por um aluno, sem se incomodar…)

Como naquele tempo a grande parada de sucessos da cidade era o “Telefone pedindo bis”, com Paulo Silas, na PRC-9, só para embalar a reunião, quem puder leve discos com essas músicas, as dez mais daquele ano:

Estúpido Cupido – Celly Campelo; Vai, Mas Vai Mesmo – Nora Ney; Smoke Gets In Your Eyes – The Platters; Quem é? – Osmar Navarro; A Felicidade – Agostinho dos Santos; Lacinhos Cor de Rosa – Celly Campelo; Deusa do Asfalto – Nelson Gonçalves; Perfume de Gardenia – Bienvenido Granda; Dindi – Sylvia Telles; Oh Carol! – Neil Sedaka.

Pregado no poste: “Corinthians chegou em ‘péssimo’ e a Ponte, em ‘péssimo primeiro’ lugar no campeonato; o Guarani foi vice-campeão.

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