Alô? Madame China?

Juro por Deus, quero morrer sequinho. Segunda-feira de Carnaval, 17h30, disco 102 e uma voz diz: “Bem-vindo ao 102! Você também obtém informações no site “www.telefonica.com.br” Mas esperei, para ouvir a voz da atendente. Ela me passou para u’a máquina de voz, que me passou o número procurado. Ninguém atendeu. Arrisquei o sítio. For do ar. Liguei de novo:

— Minha senhora! O site para o qual nos remete a Telefonica (Carlota Joaquina, para os íntimos) está for do ar…

— Tente www.telefonica.com.

Diante do choque de uma Torre de Babel explícita na tela, lembrei-me das aulas de catecismo da mestra Afonsina Afonso Ferreira. Uma oração diz: “Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa; portanto peço e rogo à bem aventurada sempre Virgem Maria, ao bem ao bem-aventurado São Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado São João Batista, aos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo, aos anjos e santos e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus nosso Senhor…”.

Assim, peço e rogo: um tradutor juramentado para se conseguir o número de um telefone em São Paulo, embora São Paulo esteja na relação dos suplicados. Veja se você entende os caminhos que a “Carlota” me mandou percorrer para obter o tal número. Por favor, se entender, traduza:

About Telefónica, Press Office, Shareholders & Investors, Innovation, CR & Environment, Sponsorship, Fundación Telefónica, What do you need? Are you looking to subscribe to a phone line, an ADSL line, a mobile service or the like? Simply tell us which country you live in and what kind of product you have in mind. Select country, Argentina Brazil, Chile, Czech Republic Colombia, Ecuador…”

E aparece o mundo inteiro. Menos Cuba e Iran (o Lulla vai chiar!). E aí… “15th February, 2010 Telefónica presents the first 3G USB modem with unlimited storage capacity based on cloud computing technology See news.” Sabe o que é isso? Nem eu. Depois de um monte de figurinhas coloridas, mais um monte de palavras em estrangeiro, não aparece como descobrir telefones em São Paulo.

Cada vez que a Telefonica debocha dos brasileiros (como no dia em que respondeu em espanhol a um fax de uma jornalista brasileira), lembro-me de um leitor que me escreveu sobre os bordéis de Campinas. Lá pelas tantas, aparece: “Outras casas famosas daquela época eram a da Madame China, que ficava na Ernesto Kuhlmann esquina com Benjamim Constant (onde existe hoje o prédio da Telefônica), defronte ao Mercado Municipal…” Naquele tempo, “Carlota Joaquina” se chamava Madame China. Seguramente, muito mais prestativa.

Pregado no poste: “Alô! Aqui não tem telefone!”

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