Algures e alhures

É tudo a mesma coisa, as duas vêm do provençal e o antônimo é nenhures, que não veio de algures nem de alhures. Cultura inútil, própria para esses tempos medíocres, como essa campanha. Ela precisa de alguém que jogue a ex-senadora Heloisa Helena no ventilador. Essa guerreira, autêntica ”Dercy Gonçalves” da política, diverte a plateia, acusando o mundo e o fundo sem provas — que ninguém ousa lhe cobrar.

Medíocre como o que perpetram com a caravela da Lagoa do Taquaral, após deixarem infiltrar água por fissuras no casco. Casco na caravela não se conserta com ferreiro nem se dão uma no cravo e outra no mastro. Leva mais tempo a reforma do que o trabalho que deu para fazê-la. Não encalhará no relançamento? Houve um que sugeriu tratores para desencalhá-la. “E, ai!, a caravela encalhou / Cabral mandou descer para empurrar / Desceram 400 marinheiros que morreram afogados por não saber nadar!”. No mesmo lugar, três bondes apodrecem por culpa de eleitos e que dormem em leito esplêndido.

“A Prefeitura de Campinas vai construir novo teatro”. Coitadinha! A boa repórter Milene Moreto chegou à redação saltitante e tatibitate, certa de que trazia um furo de reportagem do Palácio dos Jequitibás. E não havia ninguém com idade certa nem certa idade para dizer a ela que essa notícia tem mais de 45 anos. Mas o jornal esteve certo pelo destaque que deu. “Jornalismo é a eterna recorrência”, dizia “nosso companheiro, diretor e redator-chefe, jornalista Roberto Marinho.”. Boa parte dos leitores não tem idade suficiente e os de certa idade dão de ombros: “Uma promessa a mais, um teatro a menos.”.

Orgulho de bairrista: “Candango nº 1 era vendedor em Campinas”, disse a seção “Correio há 50 anos”, detalhando a notícia de meio século atrás. “O sr. João Paulo da Costa, que há três anos vendia biscoitos em Campinas, foi condecorado como ‘Candango nº 1’, durante as festividades do Dia do Trabalho, no novo Distrito Federal. Atualmente, ele trabalha de motorista na Capital do País.”. Parabéns seo João Paulo! Eu sabia! Não fosse um campineiro, aquilo não sairia da prancheta. Foi condecorado porque pelo menos uma pessoa trabalhou naquela cidade.

Há meio século, o trem era mais esperto. A mesma seção do “Correio” resgatou: “Viação Cometa terá ônibus para Brasília — A ida do sr. João Havelange a Brasília, além do aspecto esportivo, tem outro motivo. O presidente da República, quando da primeira entrevista com o dirigente da CBD, no Rio, semana passada, aventou a hipótese e se mostrou interessado que a Viação Cometa estabelecesse linhas regulares, partindo de São Paulo e Rio, diretamente para Brasília.”. A campineiríssima Companhia Mogiana de Estradas de Ferro saiu na frente e ligou Campinas à Capital, com seu “Bandeirante”. De raiva e inveja, as “otoridades” (sempre elas) acabaram com a ferrovia. Em compensação, o Cometa até hoje não chegou a Brasília.

Pregado no poste: “Ecochatos querem processar o vulcão da Islândia”

 

 

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