A volta do cata-coió

Fosse o século 19 e estariam à beira da cova Francisco Morato, Franco da Rocha, Várzea e Campo Limpo Paulista, Louveira, Jundiaí (não, Jundiaí, não), Vinhedo e Valinhos. Felizmente a Estrada de Ferro Santos-a-Jundiaí, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a Estrada Velha de Campinas e, nos anos 50s, a Anhangüera não as deixaram morrer. Porque a Bandeirantes, nem tchum para elas.

Agora, entrando no século 21, São José dos Campos, Taubaté e Aparecida, salvadas de ser uma das “cidades mortas” do Vale do Paraíba, imortalizadas por Monteiro Lobato, correm da história como políticos do trabalho. Não quer dizer nada, mas receberam do BNDES pedido de informações sobre suas características para implantar o trem-bala. As três querem ser pontos de parada no caminho que ligará Rio, São Paulo e Campinas, passando pelo Vale.

Mas, como no tempo da construção da Paulista, Mogiana e Sorocabana, esse trem-bala ainda acaba um tremendo cata-coió, passando por tudo quanto é corrutela. Antes, a linha seguia caprichos e conveniências dos senhores dos cafezais; hoje, ela arrisca ser a vanguarda do atraso, vítima da vaidade de políticos, dada capacidade deles de fazer vítimas e promover atraso.

Imagine se esse trem pára em Louveira e ignora Valinhos. Vinhedo ficará quieta? E a vontade de aparecer no mapa? Quer saber? Eu não quero nem saber como vai ser. Tem gente que virá até Campinas para pegar o tal trem-bala, seguirá para São Paulo e voltará para sua cidade de Rápido Luxo Campinas, Cristália, Caprioli, Bonavita, Danúbio, Capelato, Ensatur ou Fassina, só para dizer que viajou no bicho.

Mas podem exibir o bom senso e a discrição da cidade de Campo Limpo. Quando a Rodovia dos Bandeirantes estava para ser inaugurada – e ela foi uma das que não tiveram direito a um acesso – fui falar com o prefeito. O diálogo foi antológico:

— Sr. prefeito, sou do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ e estou aqui para uma reportagem…

— Por favor, só se for para falar mal de Campo Limpo!

— Como?

— É que tempo atrás citaram Campo Limpo como opção de passeio de fim de semana no suplemento de turismo do seu jornal. Veio tanta gente, que me acabaram com a água da cidade!

Pregado no poste: “Como uma Constituição dessa, o negócio é ser bandido?”

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