“A” rádio

A primeira vez em que vi ‘seo’ Tuta ao vivo foi no saguão do aeroporto de Congonhas. Ele e meia São Paulo estávamos lá para celebrar a chegada e aplaudir como nunca a Seleção bicampeã no Chile, trazida pelo pai dele, o Marechal da Vitória, um dos mais importantes brasileiros, o doutor Paulo Machado de Carvalho. (Homem admirável: não sabia conversar sem ensinar!)

Naquela tarde, ‘seo’ Tuta era entrevistado pelo legendário repórter Tom Barbosa, da nossa Rádio Panamericana “A Emissora dos Esportes”, e ironizava, para o mundo inteiro ouvir (e aprender):

— Eu peço a todos que foram contra a nossa seleção, que continuem a difamá-la. Essa gente dá uma sorte danada. Nosso futebol é o melhor do mundo porque é jogado e administrado exatamente ao contrário do que esses críticos apregoam. Muito obrigado.

(Cá entre nós, entre eles estava gente competente, que por motivos extra-campo, agredia o doutor Paulo e, pasmem, Pelé, Garrincha, Zito, Nilton Santos, Didi, Djalma Santos e outros deuses! É uma pena, porque sempre gostei muito do Mário Moraes, do Pedro Luiz, do Edson Leite, do Geraldo Bretas…)

Hoje, o estúdio central daquela rádio que informa o presente e forma para o futuro parece a sala de comando da mais moderna nave espacial, conduzindo nosso planeta por galáxias que só ela sabe navegar. Ouvi-la é conhecer o mundo por olhos nos quais todos confiam. ‘Seo’ Tuta é o Antônio Augusto Amaral de Carvalho, aquele que a Nair Belo dava uma gargalhada para anunciar: “Ah Ah Ah Carvalho…”. Sua rádio, a Jovem Pan, a rádio dos paulistanos, hoje do mundo inteiro, a que todos recorrem quando algo muito importante está acontecendo ou a que todos ouvem quando algo importante pode acontecer. Ou seja: sempre! “Tá na Pan?” é o que se espera de um rádio ligado.

(Coincidência: a sala de comando deste planeta azul fica na esquina da Alameda Joaquim Eugênio de Lima com a Avenida Paulista. Era exatamente ali, que o padre Landell, inventor do rádio, fazia suas experiências, falando para um receptor em Santana, até ser expulso, como lhe aconteceu em Campinas, “por ter parte com o diabo”. Sabe quem o expulsou? O dispo dom Duarte Leopoldo e Silva, ancestral de Carlos Eduardo Leopoldo e Silva, um dos sócios do ‘seo’ Tuta na Pan.)

Não sei se ele é bugrino ou pontepretano, mas a TV Record, dele e do pai enquanto foi emissora de televisão, fez a primeira transmissão de TV Campinas-São Paulo. Se bem me lembro, um jogo Guarani X Santos, contando com as torres de micro-ondas da velha Companhia Telefônica Brasileira espetadas no Castelo. Está tudo no sonoro livro “Jovem Pan”, escrito pelo seo Tuta. Obra prima, como cada Machado de Carvalho.

Pregado no poste: “Jovem… Jovem… Jovem… Pan… Pan!”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *