A princesa está maltrapilha

O professor José Roberto Amaral Lapa, em sua obra-prima “Campinas, os cantos e os antros”, nos ensina como nasceu o nome de “Princesa d’Oeste”, para esta terra. Foi no fim do século 19, entre 1860 e 1900, antes da epidemia de febre amarela. Talvez os quarenta anos mais ricos da nossa história: primeiras experiências com cinema, o telefone, o rádio (!), o calçamento das ruas, numeração das casas, iluminação pública, profusão de escolas importantes, a Catedral, o brilho de Carlos Gomes na Europa, a arquitetura de Ramos de Azevedo. E a preocupação de seus moradores com a fachada de suas residências, a paisagem dos logradouros, a harmonia das cores, a simetria das vias públicas, a limpeza, a beleza. “Era como o cuidado dos campineiros com sua princesa, sua cidade, a Princesa d’Oeste”, escreveu o mestre.

Outro dia, o campineiro José Luiz Catani me mandou uma daquelas cartas que merecem estar na cartilha de cidadania de qualquer povo. Ele ainda tem 83 anos e se lembra de Campinas “quando ela era linda, a gente andava pelas ruas até tarde da noite, tudo era tranqüilo… À noite, caminhões da Prefeitura lavavam as ruas, deixando-as com aquele cheiro gostoso de cidade limpa. Lembro-me dos bondes – que delícia! Da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, pontual… Dava gosto viajar até a Alta Paulista, em leitos limpos, lençóis branquinhos, travesseiros cheirosos, restaurante da melhor qualidade, talheres de prata, guardas bem vestidos, distintos, educados… A praça do Castelo, com sus árvores centenárias, ipês, espatódias e quaresmeiras, floridas, lindas, onde o ponto de táxis ficava à sombra, uma beleza! Depois veio um especialista em paisagismo e cortou todas aquelas árvores, deixando a praça como o deserto do Saara, apenas com meia dúzia de lixeiras pretas, nenhum banco, um sol abrasador…”

Outra lição do seo José Luiz vem agora. Ouçam: “Tenho um parente que cortou uma árvore em seu sítio e quase foi preso; sofreu processo, gastou dinheiro com advogados para se defender e dizer por que cortara a tal árvore! E o tal paisagista de Campinas, que tornou a praça do Castelo um deserto, cortou as árvores, nem foi advertido por isso. Ele é quem deveria estar na cadeia pelo crime que cometeu, mas continua sendo paisagista (cortador de árvores), desumano, grosseiro, que não entende nada de jardins e de paisagens. Cortar uma árvore é crime, ele cometeu centenas desses crimes e continua em liberdade.”

Pregado no poste: “Nossa prefeita está de vestido novo?”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *