A prefeita e o boi

Acho que descobri o que há por trás desse bafafá que a nossa queridíssima prefeita aprontou com o novo zoneamento e a regularização daquela tremenda gleba em Barão Geraldo. Não, ela não está preparando a terra para ser invadida por seus amiguinhos de outras terras, nem pelos “sem terra-terra” ou os “sem-teto”. Ou seriam os “sem-teta”?

Quando começam as coincidências, pode crer, aí tem coisa. A última área urbanizada em Barão Geraldo foi a Fazenda Santa Genebra, que pertenceu justamente ao barão Geraldo de Resende. Uma bruta imensidão de 2,3 mil hectares, mais tarde adquirida pelo banqueiro (olha uma coincidência aí!) Cristiano Osório de Oliveira. Depois, o filho dele, José Pedro, casado com dona Jandira Pamplona (parece que ancestral do costureiro Dener), tocou a propriedade. Em seguida, a Santa Genebra serviu de campo de experimento para o Instituto Agronômico – e ali, então, se deu a salvação da lavoura algodoeira do Brasil. Daí, a fazenda foi loteada, abrigando a Ceasa, o liceu e o colégio São José, a Vila Costa e Silva, acho que até parte da Puccamp, e o shopping D. Pedro. Era grande a fazenda do barão.

Justamente na Santa Genebra o boi falou, na Sexta-feira Santa de 1888, meses antes da abolição da escravatura. Falou para um escravo do barão que Sexta-feira Santa não é dia de trabalho. Agora, 115 anos depois, eis que nossa alcaida se vê às voltas com parte das terras do banqueiro (outro!) Aloísio Faria, em Barão Geraldo, para dar uso e destino urbano a elas.

No fundo, no fundo, o que nossa prefeita sereníssima acalenta é reanimar o movimento de emancipação de Barão Geraldo, que anda apagadinho, apagadinho. Será uma nova cidade, que já nasce com a Unicamp, que se passaria a chamar Unicagaldo. Se pegasse a Puccamp, seria Pucagaldo… Terá como habitantes parte importante da elite intelectualizada da cidade. Seus moradores, então, terão motivos de sobra para dizer “vou até Campinas”. Barão nunca mais será vista como aquele povoado no caminho de Paulínia e Cosmópolis, servido pelos ônibus amarelos da Lira/Capriolli, que saíam do Mercadão, junto com as jardineiras vermelhas da Rhodia.

Uma cidade que nasce rica, ao contrário da terra-mãe, ora empobrecida de corpo alma, pela obra de quem quer distribuir riquezas, mas não sabe criá-las. (‘Basta trabalhar…’, diria minha avó.). Será que as gentes de Barão vão votar em dona Izalene para prefeita? E se o boi falar “Lugar de político é lá em Campinas…”?

Pregado no poste: “Campinas, o que toda cidade queria ser. Agora, não quer mais”

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