A pedidos

Tenho um sobrinho, Eduardo Delábio, afilhado nas horas vagas, da pá virada. Escrevo este relato a pedido dele, para que futuras namoradas não se mandem, como fizeram as outras, acusando-o de pilantra. Ele é fogo. Imita tão bem aquela santa que mora aqui em casa, também sua madrinha, que até meus filhos e eu já caímos em sua arte. Colocou anúncio no jornal da cidade pequena onde morava, se oferecendo para ensinar, “a preços módicos”, como pegar a escada rolante, no shopping que seria inaugurado dali a um mês. O shopping nem tem escada rolante, mas houve quem se inscrevesse.

Na fazenda onde moram e trabalham honrados pai e mãe, ouviu dos mais antigos que se dá pinga ao peru na véspera do Natal. Deu. Mas pôs fogo no bico do bicho, que morreu queimado de dentro pra fora. Mês passado, o honrado pai interrompeu um telefonema do filho:

— Ligo pra você já, já, porque entrou uma cobra aqui na sala!

Como o pai não ligou, deduziu: “Ele morreu! A cobra matou meu pai!” Nem teve a astúcia de ligar para o celular do próprio pai ou da mãe. Tomou um ônibus em Londrina, onde mora e ensina futebol, e partiu sacolejando e orando. Teve astúcia, sim: usou a falsa picada, para passar o fim de semana com a família.

Criou uma frase insuperável para chamar a freguesia à padaria de um amigo: “Deus escreve certo por minhas tortas”. Aos dez anos, foi alertado por mim: “Agora que você fará Primeira Comunhão, não se esqueça de confessar ao padre que você é corintiano – é pecado!” Confessou. Caí do cavalo: o padre também é. Ô raça!

Assim que caiu na rede mundial a história de que o Ronaldo assinou com Barcelona e pegou a Suzana Werner; a Inter lhe deu a Milene; o Real, a Ciccarelli; o Milan valeu a Raicca, mas os travestis o jogaram no Corinthians, tratou logo de espalhar na web que quando consolou as “meninas”, o Fenômeno fazia recuperação no Flamengo.

Quanto ao pedido para as futuras namoradas, é o seguinte: “Beijam, abraçam, dizem que me amam, entendem meus problemas, dividem os dela, até elas virem que eu não estava brincando quando disse que ganho mal!”

Pior é quando as tias lerem esta confissão: “Essas me mostram cada vez mais que eu errei: porque eu não fiz Fisioterapia em vez de Educação Física? Só na minha família eu já teria ao menos seis ou sete clientes permanentes, me pagando uma nota para tratar de ciática, ‘nelvos’, lumbago, torcedura, dores musculares e outras manifestações de PVC – Porcaria da Velhice Chegando”.

Pregado no poste: “Brasileiro se diverte”

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