A pata nada; o Bin ladra

No glorioso Grupo Escolar Municipal “Corrêa de Mello”, lendo a cartilha da Benedicta Stahl Sodré, a mestra Clélia Pires Barbosa ditava: “A pata nada – pata pa; nada na”. Na Escola Rio Branco, Carlos Zink lia Thomás Galhardo e falava sobre ‘Tertuliano, frívolo e peralta’, aquele tipo que “morto não faria falta”. Hoje, mais de meio século depois, a nova cartilha vem de um tipo que morto também não faria falta: Osama Bin Laden. Não é frívolo nem peralta, mas assassino. Sua ‘tchurma’, acostumada a andar à malta, lançou uma cartilha de 67 páginas, com o manual do bom terrorista e lições de como fazer bombas. Estivéssemos nas mãos dessa corja, o que teríamos aprendido? Se bem que nos morros cariocas e outras plagas…

Com essa cartilha macabra, seria fácil fazer uma bomba, mesmo nos tempos do Tertuliano e da pata. O título do capítulo dedicado aos explosivos é sugestivo: “Como fabricar uma bomba na cozinha de sua mãe”. (Você faria uma bomba na cozinha da sua mãe? Acho que ela explodiria de raiva. Sua mãe e a cozinha dela juntas.)

Ingredientes: açúcar, fósforos, tubos, pilhas e um relógio. Açúcar, facilmente encontrado no armazém do Sesi, lá no alto da Barão de Itapura, onde o trem da Mogiana, que vinha de Minas, entrava em Campinas; fósforos, na tabacaria do Café Caruso, ali na General Osório; tubos eram vendidos na Sanitária Guarany, Rua Luzitana; as pilhas (ainda não existiam as alcalinas, mas detonavam assim mesmo) estavam à venda nas Lojas Americanas (Treze de Maio) ou na Bongo (Costa Aguiar) e o relógio nem precisava ser um modelo chique da Chinelatto (também na Luzitana) – havia um relojoeiro perto do ‘Mercadão’ que vendia relógios de quem não voltava para buscar depois do conserto. Esse mesmo relojoeiro ajudou muita molecada a formar seus times de botão, com os celulóides, que sumiram nestes tempos digitais.

Tempo de preparo até ficar no “ponto”: dois dias. Porção suficiente para matar dez pessoas, diz a receita. O modo de fazer é com o MacGyver.

A cartilha se chama “Inspire” e é toda escrita em inglês, porque visa a matar quem vive na América do Norte e na Europa. Ao longo de 67 páginas, o leitor também descobre um poema em homenagem a Omar Faruk Abdulmutalab, jovem nigeriano acusado pelo atentado fracassado no voo Amsterdã-Detroit durante o Natal passado, e também antigas mensagens atribuídas a Osama bin Laden e a Ayman Al-Zawahiri, os números um e dois da rede Al-Qaeda.  Mais: ensina a executar quem denigre Maomé. Não se assuste se em breve você vir movimentos de defesa da edição da cartilha no Brasil, em nome da liberdade de expressão e do respeito ao ‘cumpanhêro’ Bin.

Pregado no poste: “Te cuida, Lula, porque vão te usar mais ainda”

 

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