A Pastoral, para consolo da vida

Antigamente, tinha disso, não.

Os vereadores custavam menos para o bolso do cidadão; o número de secretarias, secretários, secretárias, assessores, afilhados políticos, sinecuras, fantasmas, autarquias, empresas públicas e cabides de emprego era menor. Mordomias não existiam: seo Miguel Cury ia com o Cadillac dele trabalhar no Gabinete e percorrer obras – a gasolina saía da carteira dele. A merenda escolar era farta e não faltava. O Samdu chegava em cinco minutos na porta da casa do doente; os professores e médicos municipais ganhavam salário justo; não havia fila no pronto-socorro; a vacina também era aplicada em casa e na escola; o caminhão de coleta de lixo passava todo santo dia, para só faltar no dia santo; sobrava espaço nas creches, parques infantis e grupos; havia cursos noturnos de alfabetização nas escolas municipais; cinema era de graça para a criançada no cine Carlos Gomes e no Teatro Municipal “Carlos Gomes”. Isso mesmo! Havia teatro. Hoje, nem Carlos Gomes é lembrado na “Semana de Carlos Gomes”.

A saúde da cidade estava nas mãos abnegadas de gente da estirpe de Alfredo Gomes Júlio, José Moraes de Siqueira, Toninho Hossri, Gilberto Azenha, do enfermeiro Nardi; de Gustavo Adolfo Murgel… Foram tantos! Levavam material de primeira, deles mesmo, para complementar o que a Prefeitura não tinha: o cidadão e sua saúde estavam acima de tudo. Esperar essa dedicação hoje é impossível – na terra dos impostos, não há dinheiro para atender ao Poder, só aos poderosos, em breve, faraós e faroínas embalsamados. Uma gente que ri, quando deveria chorar pela cidade.

Havia campineiros e forasteiros orgulhos de ser campineiros, como os campineiros.

Semana passada, a repórter Nicinha Bulhões revelou uma boa notícia, nesta terra de notícias ruins: a mortalidade infantil caiu em Campinas. E como excelente repórter, essa filha de Corumbá descobriu que, não fosse a Pastoral da Criança, com seu trabalho fundamental de conscientização dos pais, muitas crianças teriam morrido antes de um ano de vida. Gente valente, campineiros daqui e de fora (como a Nice, por exemplo), que têm fé na vida e luta pela comunidade em troca de nada: mordomias, padrinhos políticos, sinecuras, empregos sem trabalho. Gente que trabalha, salva vidas, sabe fazer e, cruel, paga impostos para sustentar quem devia fazer o que eles fazem, mas…

Pregado no poste: “Falta pouco!”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *