“A Nupcial”

Quer nome mais sugestivo para uma marcenaria? Em terra conhecida pela arte de seus marceneiros desde a primeira metade do século 19, querer o que mais? Fui neto de um, José Lopes Castro Dias, filho de outro, Moacyr Castro Dias, ‘adotado’ por mais um, Oscar Rossi, sou amigo de um quarto, José Roberto Martins, mas só posso sentir inveja e admiração. Vivi cercado de marceneiros e fui dedicado a São José quando nasci, porém não me deixaram nem a serragem do talento que Deus lhes deu.

A saga dessa arte campineira começou a ser contada por Anna Kupfer, que chegou ao Brasil em 1852, direto de Cassel, na Alemanha, junto dos pais e irmãos, para se encontrar com outro irmão, Georg Krug, que estava em Campinas desde 1846. Na Europa, o patriarca, Johann Heinrich Krug, era marceneiro na corte do imperador Guilherme II. Artista, de fazer todos os móveis, assoalhos e tetos em mosaico dos palácios. A marcenaria de Georg Krug ocupava meio quarteirão da Moraes Salles. E os Krug estão na fundação dos colégios Rio Branco e Culto à Ciência, do Instituto Agronômico… Eles não me largam.

“… proclamam o altar-mor como obra-prima de Vitoriano dos Anjos… tem-se a impressão de que ele trabalhou ali com inexcedível carinho, procurando harmonizar o grandioso do conjunto ao mimoso dos detalhes. São obras de entalhe dele e Bernardino de Sena,”. É a nossa Catedral!, resgatada na obra de Ricardo Leite.

Campinas dos artistas Anselmo Zini, no Largo do Pará; Wilson Franco; seo Chiquito, das Lojas Americanas; Raul Benatti, dos móveis Zanolini, na Zé Paulino; Milton Erbert, na Dr. Quirino, pertinho da Padaria Jacareí… Nossa, são tantos!

E Campinas da maravilhosa “A Nupcial”, do seo Antônio Ferreira e da sua Lucinda, gente humilde, gente boa demais, uma lição diária de vida que Deus dá a quem os conhece, com os filhos Mariluce e Maurício, mais a Marlisa, que Ele levou, porque também tem direito de ser feliz. ‘A Nupcial’ ficava na Rua da Abolição. Hoje, seo Ferreira celebra 80 anos. Parabéns, pelo aniversário — e pela obra: já trato da aposentadoria, mas a cama, os criado-mudos, a mesa e as cadeiras estão firmes como meu casamento com aquela santa que, como a Mariluce, também é afilhada da lendária Zezé de 32.

Pregado no poste: “Quero Campinas de volta!”

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