A fruta dos sábios

A banana prova que o homem vem do macaco. É a fruta preferida dos dois. Se Eva tivesse dado uma banana para Adão, só ela seria expulsa do Paraíso. Por má educação. E Deus arrumaria outro clone para viver com Adão. Divide com o bum-bum a preferência nacional: nanica, d’água, nanicão, maçã, da-terra, de-são-tomé, prata, ouro, sapo…

Um cientista inglês avisa que ela está em extinção, vítima de um fungo. A salvação da lavoura bananeira está no Instituto Agronômico “Alcides Carvalho”, o IAC. Ali, o cientista Luiz Antônio Junqueira Teixeira disse ao repórter Eduardo Caruso, que o inglês exagera. Pode confiar. A história ensina que o pessoal do IAC sempre acerta.

A ameaça virou um Deus-nos-acuda no Brasil. Banana me faz lembrar do seo Juca e da dona Maria, fruteiros do Mercadão, e do seo Armando, verdureiro da carroça verde, que vinha para a minha rua carregado de verduras, legumes, a rainha das frutas e suas súditas. Imagem tão inesquecível, como o som da buzina de borracha. Precupa ao seo Luiz Martins Carvalho: pela conversa com o Eduardo Caruso, ele come banana “que nem” eu. Arroz, feijão, farofa e banana – carne pra quê? Vai bem com pão, queijo, mel, aveia, sorvete e assada, flambada, frita, na pizza. Mas se o preço subir, não será mais vendida a “preço de banana”.

Diz a crendice que se a moçoila casadoira enfiar uma faca no tronco da bananeira, em noite de São João, verá a letra inicial do nome do futuro noivo escrito na lâmina. E o viajante-cronista John Luccock escreveu: “Não há um bom católico, neste país, que corte uma banana transversalmente, porque seu miolo apresenta a figura de uma cruz”.

É a fruta dos sábios, daí seu nome científico: Musa sapientum. E inspiradora da alma dos brasileiros para a música e poesia. Jackson do Pandeiro e sua Almira cantaram até “Chiclete com banana”. E quem não se lembra de… Vamos lá? Chiquita bacana, lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica… Banana, menina, tem vitamina, banana engorda e faz crescer… Pisei numa casca de banana, escorreguei, quase caí; a turma lá de trás gritou: tem nego ‘bebo’ aí, tem nego ‘bebo’ aí… Você quer um cacho de banana? Vá na sua terra comprar; a banana é do meu país, veja lá onde mete esse nariz… A menina educadinha descasca a banana em flor, vai comendo às dentadinhas, com firmeza e com primor (essa é horrenda)…

        Você também pode saborear “Oito bananas por um tostão”, obra-prima do jornalista e amigo Benedito Barbosa Pupo, com histórias da Vila Industrial, deliciosas como banana assada com mel.

        Pregado no poste: “Não dê votos nem banana aos políticos; quem escorrega é você”

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