A festa do sovaco

(Só neste ano, o governo deu R$ 1,18 milhão do nosso dinheiro para a UNE. Apesar da roubalheira, os caras-pintadas estão quietinhos, quietinhos. Mas duvido que uma coisa tenha a ver com a outra. Você também, né?)

O Miguel Nucci voltou da Europa e me enviou a história do cecê. (Também uma coisa não tem nada a ver com a França, digo, com a outra.) Contei para a ponte-pretana de nascença Rose Marie Afonso Madeira (também não tem nada a ver) e ela me ajudou na listinha de sabonetes, usados antes dos desodorantes, no combate ao cecê: Gessy, Lever, Lux (o sabonete das estrelas, como a Marta Rocha), Palmolive (o único com lanolina), Phebo, Vale Quanto Pesa, Solis, Cashmere Bouquet, Rexona, Regina, Dove, Johnson, Protex, (Pom-pom com Protex protege o Nenê…), York, Fofo, Vinólia, Francis,..

Três têm lugar cativo no imaginário popular. Um é o Eucalol, que patrocinava o “Balança, mas não cai”, na Rádio Nacional do Rio. “Houve uma promoção com pedras preciosas escondidas nele. Ganhei uma ametista”, lembra Rose Marie, que era para ser Doroty Lamour, mas no cartório, convenceram o pai dela de que o filme com a Rose Marie era mais bonito do que o filme ‘Sarong’, com a Doroty.

Outro é o Cinta Azul, cujos “auspícios” levavam até nossos lares o “Placar Bandeirantes do Sucesso”, todas as manhãs, na Rádio Bandeirantes. E a Dircinha Batista mandava ouvir: “Quando entro no banheiro / Só quem entra no chuveiro / É o sabonete Cinta Azul / Para um banho bem gostoso / É preciso muita água e sabonete Cinta Azul…” Só que além do sabonete, quem entrava com ela no chuveiro era o ditador Getúlio Vargas. Ele também entrava no chuveiro da… Ô boca… (Ah se Campinas soubesse!).

Aí, entra o Nucci, com a história de que a origem do nome “cecê” vem de “C.C.”, sigla de “cheiro de corpo”. Como sempre, importado da matriz, que nos vendia o sabonete “Lifebuoy”. O primeiro anúncio saiu numa revista “O Cruzeiro”, de 1947, traduzindo a propaganda americana do sabonete que tirava o “B. O.”, “body odor” (cheiro de corpo em inglês). Puts! Até o nosso cecê é coisa de americano. Como a gente sua para sustentar aquela gente!

Alcides Gerardi cantava: “Quando danço com você / Sinto coisas que nem sei…” A gente parodiava: “Quando danço com você / Sinto cheiro de cecê…”

E o seo Udine La Serra fala das farmácias que vendiam os sabonetes: a Popular (“Suba que o preço desce”), a Drogasil (com a Berkel), e a Fabiano, na Treze de Maio; a São Luís, na Conceição; a Noturna (o dono perdeu a chave e ela nunca mais fechou), na José Paulino; a do Carmo, na Sacramento; a Arisfarma (curava gonorréia sem dor), na Benjamin Constant; a Santa Júlia, do seo Júlio, no alto da Zé Paulino; a Neofarma…

A farmácia São Paulo (na frente da galeria Trabulsi) entrou para a história do rádio campineiro. Um locutor, bugrino fanático, sempre levava o lenço embebido em éter para o estádio. Tudo escondido. ‘Piloto’, funcionário do laboratório, ponte-pretano doente, quis se vingar. Encheu o lenço de amoníaco. Na hora do gol do Bugre, o locutor cheirou o lenço, para se empolgar, e quase morreu sufocado…

Agora, no Taquaral, havia uma farmácia com número de telefone quase igual ao de casa. Um inferno. Um dia, atendi e a mulher do outro lado da linha falou:

— João?

— Sim.

— Diga para o Rui trazer uma caixa de Modess, quando ele vier almoçar.

— Novo ou usado?

Desliguei na hora.

Pregado no poste: “Com quantos malufs se faz o PT?”

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