A estrela volta

Não perca. Noite memorável, hoje, oito da noite, no Centro de Ciências Letras e Artes. Entrada franca, para que todos os campineiros de verdade e de bom gosto possam ver uma obra inacabada, mas sempre uma obra de arte, produzida pelo insuperável Henrique de Oliveira Júnior e dirigida por Osmar de Oliveira, Days Peixoto e Rolf Luna. É a exibição de “Perspectiva, o filme que não terminou”, rodado em Campinas entre 1969 e 1970. Anos terríveis de ditadura e a peça se perdeu por estes anos todos. Mas o Henrique, sensibilidade e cordialidade em pessoa, achou e conseguiu salvá-la para nós. Vale a pena, não só para rever a paisagem de quando nossa terra era mais civilizada, tinha alecrim na frente da Catedral e o majestoso Jequitibá nos jardins da Prefeitura. Mais: passava o bonde na Francisco Glicério. Obrigado, Henrique!

No elenco, duas figuras lendárias. O Egas Francisco e a nossa estrela Juary Grimaldi, seguramente tão bonita hoje quanto nos seus tempos de artista… e de miss. Você se lembra dela, pois não? Dizem que ela estará na platéia. Aproveite, peça um autógrafo e confira o que estou dizendo.

Por causa disso tudo, um segredo que só agora a gente conta. Nem a Juary sabe. Ela não foi a única atriz da família. “Mordidos” por seu ‘estrelato’, o hoje seu primo Luís Carlos Rossi e eu também resolvemos tentar a fama. Como somos feios, em vez de cinema, arriscamos o teatro.

Estava na cidade o diretor Benjamin Catan, do sagrado TV de Vanguarda, da finada TV Tupi. Procurava atores para ensaiar e encenar “Está lá fora um inspetor”. O grupo todo se reuniu pela primeira vez numa sala aí perto do quartel dos Bombeiros: lembro-me do Tilli, da Elza Argenton e da Silvinha Melchert. Quem mais? Todo sábado, duas da tarde, leitura do texto em volta de uma mesa. Quase um ano e nada de ensaio. Para falar a verdade, fora o Tilli, a gente era ruim demais. Enquanto isso, a Juary fazia cinema. “Ela faz cinema e vocês fazem fita”, dizia minha mãe.

Hoje, se tudo der certo, estaremos na platéia também, para aplaudir os artistas e reverenciar o Henrique. Mas por favor, autógrafos é só com a Juary.

Pregado no poste: “Você se lembra de Campinas?

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