A bolinha assassina

Pois é: cientista descobre cada uma! Semana passada, pessoal da USP aqui de Ribeirão Preto anunciou que carambola tem uma toxina que mata quem sofre dos rins. Na sala ao lado, treinam abelhas para detectar explosivos – e dá certo! Um já consegue fazer tímpano do látex, enquanto aquele lá faz miséria com veneno de cobra: de remédio para controlar a pressão a um para ajudar no combate a certos tipos de câncer. Esse mesmo alerta: a hantavirose está aumentando, porque matam as cobras e sobram ratos silvestres, que transmitem a doença. Eles não param: um ex-cortador de cana, também cientista, está extinguindo a tuberculose. Quando se ouve falar em cientista, a primeira palavra que se associa é “louco”. Como conheço – e admiro – muitos, garanto que enquanto políticos têm parte com o diabo, eles têm parte com Deus.

E é um cientista, o Evaristo Miranda, da Embrapa, pai do Daniel, o Encantador, que percebeu o cúmulo da ‘jacuzisse’ perpetrada por certos bobocas embevecidos com seus carrões de novo-rico. É tanto esmero com o bem material, tanto zelo com o carro e tanto desmazelo com a vida, que preferem arriscá-la a protegê-la, mesmo que isso custe um pára-choque riscado. O automóvel embrutece certos bocós. São “coiós das dúzias”, “Bertoldo amarrado no meio”, diria minha avó.

A nova mania é instalar junto ao pára-choque, bem no meio, aquelas bolinhas de aço que servem de engate para o trêiler. Só que a maioria nem tem o que rebocar. Colocam aquela ‘coisa’ para que ninguém risque o pára-choque do patrimônio deles. “Ignoram milhões e milhões investidos na pesquisa que descobriu que o pára-choque de plástico é melhor que o de ferro ou de aço, porque amortece o choque e impede que o impacto quebre pescoço do motorista e do passageiro. É complemento ideal para o encosto do assento. Aquela bolinha do engate neutraliza o efeito amortecedor do pára-choque e mata quem viaja no carro. Dia desses, em Teresina, vi o choque de um Tempra com a traseira de uma Kombi, ‘equipada’ com o engate. O motorista da Kombi estava lá, sentado, quietinho… Mortinho.”.

No Brasil, há motoristas que usam o pára-choque para mensagens muito criativas, mas esses coitados deviam escrever no do carro deles: “Quebre meu pescoço, mas não risque meu pára-choque.”.

Pregado no poste: “Não faça do seu carro uma arma; a vítima pode ser você.”

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