A arte da fé

“Olhem ali, aquele marco indestrutível de esperança e de fé que, há 134 anos já, aquela gente começou a erguer. A julgar pelas dimensões vastíssimas, não se quis construir apenas um templo para reunião dos fiéis de tão escassa população. Planejou-se levantar a montanha sobre as campinas, a montanha eterna de Deus, cujas avalanches fossem sedimentar de bênçãos os campos distantes de muitas léguas – à época a vila contava com quatro mil almas”. Professor Nelson Omegna, 1942.

“A solene inauguração da Matriz Nova se deu a 8 de dezembro de 1883, data dedicada à Padroeira de Campinas. O templo torna-se palco de inúmeras comemorações, e passa a fazer parte do cotidiano de vila do açúcar que se transformara na cidade do café.”

“É nos altares do grande templo que se encontra sua principal nota de originalidade. São obras de entalhe executadas por dois artistas nacionais – Vitoriano dos Anjos, natural da Bahia, e Bernardino de Sena, fluminense.”

“As colunas que o formam são esbeltas… em número de 12 e estão simetricamente dispostas aos pares. Em frente aos primeiros degraus, vistoso retábulo, dando abrigo à imagem da Padroeira – Nossa Senhora da Conceição.”

“Os entendidos, pela voz de Benedito Otávio, proclamam o altar-mor como a obra-prima de Vitoriano dos Anjos… tem-se a impressão de que ele trabalhou ali com inexcedível carinho, procurando harmonizar o grandioso do conjunto ao mimoso dos detalhes.”

“Às duas capelas reentrantes, seguem-se mais quatro altares monumentais, dois de cada lado da nave.”

“Falta-nos, infelizmente, espaço para transcrever as impressões de alguns viajantes cultos que visitaram a Matriz Nova e se extasiaram diante das riquezas artísticas. Limitemo-nos a um deles, Emílio Zaluar, em 1862: ‘Tenho visto poucos trabalhos peregrinos executados em madeira. É um poema de flores, arrendadas, colunatas, arabescos, grinaldas, florões, enlaçados com profusão e simetria, beleza e unidade, traduzindo as idéias de uma alma de poeta, sob as formas mais puras, graciosas e sublimes que se podem reproduzir pelo cinzel do escultor.”

“Seis sinos compõem o campanário. O mais antigo, o sino Baía, foi doado por Francisco Guimarães, mordomo da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Fundido em 1847 em São Paulo, esteve instalado na Matriz Velha de 1852 até 1870, quando foi transportado para a Matriz Nova.’”

“O sino maior e o que fica ao seu lado foram fundidos em 1879. No carrilhão, o mais alto é manufatura da Compahia Mc Hardy, de Campinas.”

“… Aristides Cavaillé-Coll, importante organeiro francês, criador do órgão sinfônico, reuniu o que havia de mais avançado tecnologicamente no final do século XIX. Igrejas franceses, como Notre Dame, Saint Sulpice e Sacré-Coeur possuem órgãos da manufatura Cavaillé-Coll.”

“O relógio da Matriz Nova foi instalado no ao de 1880 e funciona até os dias de hoje com o mesmo mecanismo. Tem sua origem desconhecida.”

“Nos lustres encontramos outras maravilhosas obras de arte. Três grandes lustres vindos da França em 1883 iluminam a nave central… Na Capela do Santíssimo, pequenas luminárias, em forma de vitrais, trazem imagens de membros das famílias que as doaram.”

“Quando a Matriz Nova foi inaugurada, o pára-vento era decorado com pinturas do artista Elpinice Torrini. Estas pinturas foram substituídas na reforma de 1923 por um conjunto de vitrais executados pela Casa Conrado, de São Paulo, que representam as fases mais importantes da vida de Nossa Senhora: Nascimento, Esponsais, Anunciação, Mater Dolorosa e Assunção.”

Pequenas passagens de “Catedral Metropolitana de Campinas – Um templo e sua história”, de Ricardo Leite, patrocinado pela Puccamp, Lambra Produtos Químicos Auxiliares, Adere, Burgmann e Arcel. Uma obra de arte contando a vida da outra. Leia, enleve-se pelo deslumbramento e não se esqueça jamais.

Obrigado Regina e Geraldo Trinca, por este presente de amigos de verdade a um campineiro ausente.

Pregado no poste: “Oremos!”

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